"O magistério catarinense ruma em direção aos 60 dias de paralisação. A esperança está enfraquecida, embora não perdida. Frustração talvez seja a palavra mais adequada para exprimir o doloroso sentimento que atormenta a vida dos professores catarinenses nesse momento ao qual passa a Educação do nosso Estado. Sentimento esse que se mescla com tantos outros: humilhação, indignação, vergonha, raiva, ódio, nojo, traição... Todos provenientes do descaso e da injustiça daqueles que governam somente para si, para os seus próprios interesses."O PLC 026 (http://sinte-sc.blogspot.com/2011/07/parecer-sobre-o-projeto-de-lei.html) foi aprovado, retirou-nos direitos, mas não acabou com nosso espírito de luta e de resistência. O maior derrotado é o governo, com certeza, pois perdeu sua legitimidade e moral na medida em que patrolou os trabalhos no plenário para garantir a vitória de um projeto nefasto, que explora a dignidade dos trabalhadores da educação. Enfim, os parlamentares golpearam a educação em nome do dinheiro e do poder. Derrotaram não só os professores, mas as milhares de crianças e jovens, alunos da escola pública de Santa Catarina. De tanto ver as coisas acabarem do mesmo jeito (com governo ganhando sempre) o povo vai perdendo as esperanças. E sem esperança não há futuro! Portanto, todos nós perdemos!" (Texto extraído do blog do Sinte da Regional de São José http://sintesaojose.blogspot.com/2011/07/os-rumos-da-greve.html).
O engraçado é que a Educação é tratada como um dos assuntos mais importantes na pauta das asquerosas e patéticas propagandas em época de campanha eleitoral. Fala-se tanto em investir nessa área para haver desenvolvimento, para que se tenha mão-de-obra qualificada no mercado de trabalho e cidadãos conscientes. Quanta hipocrisia e inverdades. O que os governantes querem é preservar o poder. E como fazer isso? Mantendo o povo na ignorância. Ela é a semente regada pelo clientelismo que gera o fruto da vitómia política que depois os eleitores são obrigados a digerir, não raro, amargamente, quando não podre.
Mesmo que o ensino catarinense tenha boa qualidade, o mérito não é de nenhum governante e de nenhuma política pública. A realidade é que muitas escolas estão sucateadas, com telhado vindo abaixo, quadros em péssimo estado de conservação, carteiras e cadeiras enferrujadas ou quebradas, pintura descascando, material didático insuficiente. Portanto, se há boa Educação no Estado de Santa Catarina é porque os professores realizam seu trabalho com amor, com dedicação, com a vocação que optaram por atender. O mérito é exclusivamente dos professores que fazem o possível para atender os educandos da melhor maneira, mesmo que as condições não sejam as melhores e mesmo que o reconhecimento seja praticamente inexistente. E não me refiro somente à questão salarial, pois então, daí sim, não faltariam estímulos para desistir do magistério.
Tanta dedicação e compromisso se refletem no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), cujo qual Santa Catarina se destaca muito bem. Segundo o portal Ig de notícias, São Paulo e Santa Catarina dividem o posto de melhor colocado no Ideb das séries finais do ensino fundamental em 2009, com 4,5 pontos. Na sequência, aparecem Distrito Federal (4,4), Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso, com 4,3 pontos. (O Ideb leva em conta dois fatores que interferem na qualidade da educação: rendimento escolar - taxas de aprovação, reprovação e abandono - e médias de desempenho na Prova Brasil. É calculado a cada dois anos).
No entanto, é importante destacar e revelar que no caso das taxas de aprovação (que acabam contribuindo para um melhoramento nos índices), há manipulação, pois muitos alunos sem condições de serem aprovados para a série seguinte acabam ganhando essa promoção e assim também se evita as taxas de abandono, pois o aluno aprovado (injustamente) se enche de autoconfiança (e ignorância).
Além do mais, o aluno dispõe de um direito que é a recuperação de rendimento (Resolução Nº 158), quando esse for inferior a 70%, ou seja, o professor explica o conteúdo, orienta o educando, faz a avaliação e se o aluno não atingir nota 7, tem direito a realizar a recuperação do que foi ministrado até que atinja a nota mínima necessária para a sua aprovação. Nada contra a recuperação paralela, ela é necessária, mas é preciso admitir que a forma como ela é feita na rede estadual possibilita a aprovação automática do educando, visto também que esse se aproveita da situação, pois sabe que há uma lei que o ampara sempre.
A crise na Educação catarinense estourou como uma bomba a partir da manifestação dos professores iniciada em maio. Mas não se pode esquecer que essa bomba já vinha sendo armada desde o governo de Luís Henrique da Silveira (hoje todo faceiro como senador assistindo de longe a desgraça alheia). Foi no governo LHS que o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) ganhou destinos irregulares como a compra do lego educacional (pouco ou quase nada utilizado pelas escolas que o receberam); uniformes verdes ridículos que propagandeiam o governo (algo que nos faz lembrar a política da China Comunista); a terceirização da merenda escolar, só para mencionar alguns, porém, caros exemplos. Enquanto isso, professores ficam doentes pelo excesso de trabalho ao qual se sujeitam para poderem garantir a dignidade de vida a si mesmos e às suas famílias. Sofrem com a falta de segurança dentro das escolas e, como já citado anteriormente, com os riscos e precariedades da estrutura dos seus locais de trabalho.
É vergonhoso ser professor num Estado onde o próprio governador, Raimundo Colombo, afirma não tratar a Educação com prioridade. Infelizmente o poder o corrompeu.
Contudo, a nossa luta continua. Não necessariamente com a greve, pois alguma hora ela irá terminar. Mas enquanto a injustiça não cessar, enquanto a Educação continuar sendo mal tratada no nosso Estado, a nossa voz não será calada. Políticos entram e saem do poder, mas nós continuaremos sendo professores, continuaremos sendo cidadãos catarinenses, continuaremos sendo influenciadores e formadores de opinião, e também continuaremos sendo eleitores. Esses poderes que estão em nossas mãos ninguém tem a capacidade e o direito de nos tirar." “A revolução somos nós” (Joseph Beuys).
Professor Josimar Tais
Fontes http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2010/07/ideb-mostra-que-24-dos-municipios-estao-abaixo-da-meta-na-8-serie.html
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/maioria+dos+estados+esta+abaixo+da+media+nacional+no+ideb/n1237697645633.html



